Ikea, supermercado e água com gás.

Assim que descobri que havia Ikea aqui em Klagenfurt, escrevi imediatamente na minha lista de “lugares a ir em Klagenfurt” (metaforicamente, porque não tenho nenhuma lista!). Tinha uma série de coisas para comprar, e nada melhor do que o Ikea, tendo em conta que os produtos seriam os mesmos que em Portugal, e as coisas seriam mais baratas.

Apanhei o autocarro para o centro com a Elza, e tal foi a nossa surpresa quando vimos que havia um pequeno mercado naquele dia. Atrasamos um pouco a ida ao Ikea para explorarmos um pouco o mercado de rua.

A quantidade de pessoas neste mercado e as bancas de provas de vinho era incrível, até cheguei a encontrar uma barraquinha com produtos portugueses que se chamava: PortugalShop.

De seguida parti em direcção ao Ikea o que foi uma verdadeira aventura. Tendo em conta que Klagenfurt é extremamente próximo da Eslovénia, o que não faltava por lá eram Eslovenos que tinham tirado a sua tarde de sábado para comprar tudo o que pudessem. Por momentos senti-me como se estivesse no Ikea de Matosinhos, onde também só se vêem espanhóis, e só faltavam a Mamã e o Papá para ser igual. Depois de algumas horas passadas lá dentro, eu e a Elza acabámos por sair com tudo o que poderíamos carregar.

Como aqui as lojas, supermercados e restaurantes fecham cedo (durante a semana às 19: / 19:30 e ao sábado 18: - ao domingo nem abrem), não tínhamos tempo de ir pousar as coisas a casa e ir ao supermercado a seguir, por isso, fomos directamente ao primeiro supermercado que encontramos no caminho de autocarro. A ideia não foi a melhor, tendo em conta que íamos carregadas com dois sacos enormes, cada uma. Ainda assim, fiz as compras necessárias pelo menos para o fim de semana, pois como domingo estaria tudo fechado, tinha de abastecer a despensa antes. Lá arranjei forma de ir para casa com 3 sacas pesadas e fiz o jantar com esparguete Austríaca e atum bem Português!

* Aqui a água é TODA com gás, por isso tenho saudades de beber água do Luso.

Klagenfurt ist sehr schön!

Os últimos dias foram uma correria, como já seria de esperar, sempre de um lado para o outro, na universidade, às compras, no centro, etc.

Na sexta-feira, tecnicamente o meu segundo dia em Klagenfurt, fui de manhã à Universidade para tratar das burocracias todas: registar-me como aluna na Alpen Adria Universität Klagenfurt, inscrever-me no curso de alemão, tirar o meu cartão de aluna, falar com o coordenador, e conhecer os edifícios.

A universidade funciona como o campus em Aveiro, se bem que é muito diferente. É muito maior, à quantidade de vezes que já me perdi deve ser, e enquanto que em Aveiro para ir a qualquer departamento temos de sair e voltar a entrar, aqui quase todos os departamentos (ou até mesmo todos) têm ligações internas. Nos corredores tem uns ecrãs onde podemos colocar o nosso cartão de estudante e diz-nos onde vamos ter aulas a seguir, e na porta de cada sala existe também um destes ecrãs com a informação da aula que está a decorrer.

À tarde fui até ao centro com a Elza, uma rapariga da Letónia, e andamos a explorar um pouco. Não é uma cidade muito grande, mas é extremamente bonita e simpática. O trânsito é muito pouco, os autocarros são vários e chegam a todo o lado (diga-se de passagem que o sistema de transportes públicos funciona mesmo bem e não há atrasos nem apitadelas), e as zonas exclusivas a peões são imensas.

Uma das primeiras coisas que me chamou logo à atenção, foi o facto de em todos os cafés, restaurantes e pubs que têm esplanadas, em cima das cadeiras estarem pousadas umas mantas para os clientes, e o mais impressionante é que as pessoas não estragam nem levam para casa “emprestado”.

Dois aviões, três comboios, três autocarros, e muitas voltas depois…

O despertador tocou às 3:00, e eu, com 2horas (se tanto) de sono e já meia vestida, levantei-me para arranjar o que faltava, e despedir-me uma última vez da casa que ia ficar para trás. Saída de casa às 4:00, cheguei ao Aeroporto no Porto, um quanto ou tanto deserto, com algumas pessoas que levavam malas ainda maiores que as minhas (e eu já achava que levava muitas malas, e grandes, e nem sabia como iria andar com elas de um lado para o outro), fiz o check-in. Com uns kilinhos a mais, as malas lá passaram sem problema nenhum. Já eram 5:00 e estava na altura de dizer adeus à mamã e ao papá. Depois de mil despedidas, abraços e beijinhos, comecei oficialmente a minha aventura. Ainda com a mamã e o papá a dizer adeus pelos vidros, e a tirar fotografias, já andava de um lado para o outro no aeroporto, a fazer tempo até embarcar. Passava pouco das 6:00 quando o avião levantou com destino a Lisboa, e pouco para as 7:00 faltava quando aterrou ainda em solo Luso. Com pouco tempo de escala, fui até à porta de embarque para Viena para mais uma viagem.

Depois de umas horas de sono, alguma conversa para o lado, e muita música no iPod, aterrei em Viena:

São 12:40, hora local, mais uma hora do que em Lisboa, o céu está pouco nublado, estão 13ºC e vento fraco.

Depois de ter ido buscar as malas e arranjado uma forma de andar com as duas atrás de mim, sem tropeçar, bater contra alguém, etc., encontrei-me com as duas primeiras pessoas que estavam ali para o mesmo que eu.

Antonia (Bulgaria) - Elza (Latvia) - Marie (Pt)

Com seis malas, mochilas, carteiras e pranchas de snowboard atrás de nós, seguimos até à estação ao lado do aeroporto para apanhar um comboio que nos levasse a qualquer lado (literalmente, porque não fazíamos a mínima ideia para onde ir). Perguntámos a um senhor que só falava alemão (graças a deus a Antonia falava alemão o suficiente para o entender) e disse-nos que teríamos de apanhar um comboio até West Bahnhof. Pouco convencidas, tentámos procurar pelos mapas da estação, mas de pouco serviram. Vimos um rapaz e uma rapariga que pareciam perceber do assunto e perguntamos-lhe como podíamos ir para Klagenfurt. Depois de algumas chamadas, disse-nos para irmos com ele no comboio e que eles nos ia explicando porque o destino dele tinha um caminho comum. Depois de mil tentativas de entrar no comboio com todas as malas, fomos o caminho a conversar com o rapaz, que tinha chegado do Paquistão com a amiga, e que já tinha estudado na Índia, chegamos a outra estação em Viena.

Continuámos a seguir o caminho com o rapaz, e depois de trocarmos para outro comboio, chegamos à estação onde finalmente íamos apanhar o comboio para Klagenfurt. O Christoph, o rapaz do aeroporto e que tinha vindo do Paquistão, disse-nos que o próximo comboio para Klagenfurt era só duas ou três horas depois, então sugeriu que fôssemos com ele até Graz e lá apanharíamos um autocarro para Klagenfurt que seriam umas 2horas.

A viagem passou extremamente rápido, e serviu para nos irmos conhecendo melhor, o que cada uma estudava, expectativas, gostos (acabei por saber que a Elza adora a Zoey Deschanel e Harry Potter tanto como eu), etc. A paisagem não era nada enfadonha, passámos por imensos lugares e montanhas cobertas de neve, e estávamos cada vez mais ansiosas por chegar a Klagenfurt.

Assim que chegámos a Graz, despedimo-nos do Christoph (que foi extremamente atencioso connosco e até nos convidou para irmos a Graz e ficar em casa dele, e que ainda nos disse para não confiarmos nos rapazes, porque nem todos os estranhos são simpáticos como ele), e fomos ao McDonalds para matar a fome (aqui não sabiam o que eram pickles quando pedi um Cheeseburger, porque aqui os Cheeseburgers têm tomate, alface e maionese em vez de pickles, o que é muito melhor, a meu ver). Entretanto fomos ver onde é que apanhávamos o comboio para Klagenfurt e assim que vimos um que dizia “KLAGENFURT” em letras luminosas, desatámos a correr com as malas atrás. Confirmámos com o motorista, igualmente simpático, se ia mesmo para lá e ele disse que sim e ainda fez umas piadas pelo facto de levarmos muitas malas. A partir daí, sempre que dava informações sobre as estações, traduzia sempre para inglês e dizia “For the ladies”, o que achámos extremamente engraçado. O autocarro era enorme, tinha dois andares, e fizemos a viagem já de noite, apesar de serem 18:45.

Eu e a Elza fomos o caminho todo a olhar para o relógio, até que acabámos por adormecer por alguns minutos. A esta altura já estava tão exausta que só conseguia pensar em chegar à residência e ir dormir. Assim que cheguei a Klagenfurt, pouco depois das 20:00 (que já pareciam 3:00), encontrei-me com a Iana, a minha Erasmus Buddy e apanhei mais dois autocarros até à residência. Quando cheguei conheci mais três raparigas e um rapaz da Turquia, que se apressaram em fazer-me chá para descansar e a contar tudo o que já tinham conhecido por cá.

E assim foi, ao fim de um dia, que parecia não ter fim, consegui finalmente o meu sono de beleza.

From Austria with love,

Mar. *

Adeus Porto e Aveiro. Até já Klagenfurt.

Porto - Lisboa - Viena - Klagenfurt